Como se dá o boom dos brechós em Goiânia
Por Gabriel Monteiro e Natália Aquino
Nos dias 15 e 16 de novembro, dois eventos agitaram
o cenário goianiense na área de moda popular: o Festival de Brechós, ocorrido
no sábado no Clube Oásis, Setor Bueno, e o Encontro de Brechós, no domingo, com
presença na Rua 15, Setor Central. Ambos os eventos tiveram entrada gratuita e
várias opções de stands, em que se ofereciam uma variedade de peças para os
mais diferentes públicos.
O sucesso desses eventos demonstra como os brechós
vem se consolidando no mercado, e para além disso, como a predominância
feminina reforça que as mulheres ganham cada vez mais espaço para se afirmarem
como comerciantes. A ascensão de roupas de segunda mão tem sido resultado, em
grande parte, da perseverança e resiliência de suas comerciantes, como
destacado pelas donas dos brechós MYLOOK e Acervo da Bela.
MYLOOK
Talita Epifânio, empreendedora desde 2020, começou
sua jornada com uma loja online, quando se iniciava a pandemia de Covid-19.
Porém, além disso, ela participava e ainda participa das feiras e encontro de
brechós que ocorrem em Goiânia. Ela também destaca que recentemente, em novembro,
abriu uma loja física para servir como apoio para as vendas. Sua principal
fonte de renda vem do brechó.
Quando perguntada sobre os desafios de ser mulher
atuando em um empreendimento, Talita falou sobre as dificuldades enfrentadas,
como a falta de confiança de algumas pessoas próximas. Ela, porém, não se
mostra abatida com tal desafio, e destaca que aprende, dia após dia, a confiar
no seu processo e manter os pés no chão.
Outro desafio enfrentado na profissão, conforme
destaca Talita, é o preconceito existente com roupas de segunda mão. “Esse é um
tabu que vem cada dia mais sendo rompido, mas sempre escutamos frases como: ‘Se
é roupa de morto’, ‘Se você faz desconto em uma peça de 100 se deixa ela por 40’
‘Nossa, é roupa usada e tá cara assim’”, finaliza ela.
ACERVO DA BELA
Izabela Rodrigues Ribeiro, dona do Acervo da Bela,
começou sua jornada há sete anos. Ela conta que iniciou o brechó com desapegos
pessoais, e que fazia mais para desapegar do que como forma de renda oficial.
Ela fazia Ciências Sociais na UFG e ainda não trabalhava, vendo a oportunidade
como forma de levantar um rendimento extra. Até que se passaram dois anos, e
Izabela voltou a movimentar o guarda-roupa e também o seu Instagram, retornando
ao desapego das peças. Foi a partir da conversa com amigas, na qual ela pôde
revender também suas roupas, que parece ter começado de fato o empreendimento.
Ela diz, em relação a trabalhar com brechós, que
quem trabalha com eles vive disso, literalmente. A exemplo dela, Izabela passa
manhãs e noites organizando tarefas diárias em relação ao brechó. Sempre
trabalhando, ela salienta que ainda assim, não abre mão de outros projetos.
Além da vida pessoal, ela também reserva tempo para atividades físicas e para
socializar.
Izabela tem um espaço físico para a loja, onde
atende clientes com hora marcada, e onde também realiza eventos bimestrais onde
convida outros brechós a participarem. Ela também participa do Encontro de
Brechós, sendo uma entusiasta do movimento de reunir os brechós num propósito
em comum. Ela sempre busca criar um ambiente acolhedor e intimista para as
clientes, e tem atenção especial aos detalhes de seu empreendimento, seja na
organização, seja no aconselhamento e dicas de moda.
Sobre ser mulher e empreender, Izabela destaca: “Pra
mim é algo normal. Tem seus desafios como qualquer outra área, mas empreender é
sobre se arriscar todos os dias. Desde criança sempre tive um lado criativo e
desperto para fazer meu próprio dinheiro. Acho que isso é intrínseco do
empreendedor nato”, destaca ela. Ela segue dizendo que seu maior desafio,
atualmente, é se superar todos os dias. E para se superar, ela mantém
constância e disciplina no que faz. Ela se vê como uma fonte que não pode
secar, o que pode trazer pressões à sua vida. Mas, fazendo o que se gosta, tudo
flui melhor, finaliza ela.

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