Ensaio sobre os quadrinhos
Por
G.R. Monteiro
No dia 03 de junho de 2026, um dia antes do feriado
de Corpus Christi, eu estava entretido com meus monólogos no meu quarto quando
tomei a resolução de escrever um conto. Eu, que havia me acostumado com a ideia
de escrever livros grandes e cheios de reviravolta (cujos quais ainda não havia
publicado nenhum), estava alheio às peculiaridades narrativas esperadas de uma
narrativa mais curta. Eu não conseguia criar algo do zero que não rendesse pelo
menos dez capítulos, o que, na minha concepção pessoal, entregaria ao texto o
título de novela literária. Lembrei-me, então, que havia uma pasta com uma
espécie de "portfólio” guardada na caixa organizadora no canto do meu
quarto. Peguei a pasta e comecei a dar uma olhada.
Uma das primeiras coisas que havia, com exceção dos
certificados de cursos técnicos feitos pela minha irmã, era uma folha avulsa de
sulfite, um pouco desgastada pelo tempo, mas ainda inteira. As bordas estavam
meio dobradas e encardidas, fora o fato de que estavam levemente dobradas para
várias direções. Mas a folha não estava vazia. Havia uma série de rabiscos
arcaicos contida nos dois lados dela, que logo tomei conhecimento de que eram
quadrinhos. Logo me vieram as lembranças da minha versatilidade artística, tal
como Leonardo da Vinci, que abundaram os corredores da antiga casa no bairro
Itatiaia, em Goiânia, onde eu morei durante os primeiros anos da minha vida. Me
recordei de uma época em que eu não escrevia com ansiedade, mas com sinceridade
e ausência de filtros, e foi essa despreocupação que me fez ter um repertório
tão vasto de quadrinhos, desenhos e contos.
As histórias contidas nos oito quadrinhos dessa
solitária folha branca contavam pequenas histórias que ou poderiam abrir
interpretações profundas, ou tinham um significado direto e irreversível; ou
ainda, não eram compreensíveis a menos que o leitor tivesse uma bagagem
pregressa dos anseios que levaram o autor (este que vos fala) a rabiscar
aquelas imagens. A proposta aqui é falar breve, porém animosamente, sobre os
significados por trás da criação de todos esses quadrinhos e como a lente atual
do Gabriel de 2026 afeta a interpretação desses causos.
As histórias seguem uma estrutura-base de logística
espacial, respeitando um limite de dois a três quadrinhos para cada trama. Os
nomes deles, em ordem, são os seguintes: Macaco
Eugênio, Xaxim, Tchum…, Bárbara, Tatu Francês, Super Codó (cuja conotação deve ser
explicada com detalhe e sensibilidade para que não soe ofensivo a determinados
grupos), Tsuru e Bila Bola.
MACACO EUGÊNIO
Começamos a lista com aquele que se mostra como o
mais vazio de um significado óbvio, justamente por ser um reflexo dessa “Escola
Gabrielista” cujo objetivo era engendrar a mim mesmo um sentimento de
realização do que C.S. Lewis chama de “cocriação”, ou seja, o ato de apenas
refletir de ângulos diferentes o que seria uma criação inerente a Deus. Isso
tudo, no fundo, era em si um “reflexo” (ironizando o uso da palavra “refletir”)
da mentalidade inocente de uma defesa terceirizada de uma fé que foi
determinada a minha vida no momento do meu nascimento (e isso não é uma
reclamação explícita, mas uma observação lógica). Mas vamos falar do quadrinho
em si.
“Macaco Eugênio” conta a história de um macaco de
raça não identificada chamado Eugênio que se admira com a variedade de bananas
oferecidas a ele. No primeiro quadrinho, ele está exultante com a presença de
uma banana-maçã, determinando uma satisfação que foi alcançada. Logo em
seguida, no segundo quadrinho, o júbilo dele se engrandece ao avistar uma
banana-prata. Porém, as expectativas se despedaçam quando, no terceiro
quadrinho, ele se depara com uma banana-marmelo. Se nos dois primeiros
quadrinhos, ele citava o nome da espécie de forma animosa e alegre, no terceiro
ele chegou a afirmar, com um olhar de quem ansiava por vomitar e as patas
dianteiras cobrindo a boca, a seguinte frase: “Banana-marmelo? Que nojeira!”. A
princípio pode parecer que é apenas uma história sobre gostos pessoais de um
primata melindroso, mas o contexto vai muito além disso.
Na segunda metade da década de 2010, eu tinha uma
visão limitada e pouco desenvolvida das coisas. Eu tinha opiniões básicas sobre
diversos assuntos baseado no que os adultos a minha volta declaravam como
verdades ou mentiras, ou, no pior dos casos, baseado puramente em um achismo.
Deve-se levar em conta a minha idade: em 2017, quando boa parte dos textos
sobreviventes da pasta foi escrita, eu tinha entre 12 a 13 anos, e era
extremamente protegido das malícias exteriores. Sendo assim, eu tinha uma visão
preconceituosa e puramente hipotética sobre a moralidade de comer uma
banana-marmelo. “Mas como assim, Gabriel? Não é só simplesmente comer?”. O que
me deixou estarrecido foi a forma como tradicionalmente se come a
banana-marmelo.
Segundo o site “Bananas 3 Irmãos”, essa espécie, que
também é chamada de banana-pão e banana-tanga, é semelhante a uma
banana-da-terra. Mas o aspecto mais curioso da cultura de consumo dela vem na
citação a seguir: “É mais doce que a banana da terra, e é comestível mesmo
crua, mas – assim como a parente maior – é utiliza principalmente quando cozida
ou frita. A passagem no fogo auxilia seu sabor e doçura a ganharem destaque”.
Mais abaixo no texto, ainda se é comentado do aspecto dela. Ele é descrito como
tendo uma textura diferente de banana, aparentando ser um meio-termo entre
fruta e pão. E é comentado também sobre a forma como ela é preparada, sendo “comida
assada ou cozida dentro da própria casca com uma colher de manteiga, geleia ou
mel para o café da manhã”.
A problemática inferida à banana-marmelo por Eugênio
é uma transcrição de uma percepção negativa minha sobre esse tipo de banana. Na
minha cabeça, uma fruta não deveria jamais ser frita, era como se um pacto
implícito de pureza fosse quebrado a partir do momento em que ela tocasse uma
frigideira. Quiçá assada ou cozida! Hoje, eu não me vejo mais refém dessa
mentalidade, porém era algo em que eu tinha declarada repulsa e que fazia
questão de especificar a todos quanto a isso. Eugênio, nessa metáfora fantástica
aos moldes de uma fábula, representa um “alter ego” da minha pessoa frente a
uma tradição social intrínseca em meu contexto. Para as outras pessoas, não era
um absurdo que se comesse uma fruta dentro da própria casca, nem que se
fritasse a mesma fruta. Mas a subversão do que eu considerava um papel imutável
e necessário; o que, na minha opinião malformada, era a norma da natureza e da
boa moral, não chegou a criar raízes em meus escritos posteriores. Há um
personagem meu, de uma história ainda não lançada, que representa essa abertura
ao mundo desconhecido de sua “seita” (o que se traduz como seus elementos de
convívio direto): ele não tem medo de errar, não tem medo de assumir os
próprios erros e de demonstrar sensibilidade, e não teme totalmente as coisas
que ele não conhece. Em confronto com um desconhecido macabro, ele deixa de
lado sua persona e demonstra seu altruísmo e sua coragem paradoxal de enfrentar
a “besta” mesmo temendo por si e por seus pares. Ora, o nome desse personagem é
Levi Schmidt.
A resolução que eu tomo desse pequeno conto é que o
Gabriel do “velho testamento” era apenas mais um reflexo de seu contexto, e não
um agente de propagação efetivo da desinformação e da repulsa pré-concebida do
que é diferente e “errado” nas concepções convencionais. Hoje, em que eu adoto
uma postura mais progressista frente aos discursos que movem o cenário atual da
sociedade brasileira, eu defendo a liberdade para que todos experimentem as
coisas que ainda não conhecem. Dito isso: comam banana-marmelo, e comam-na
frita e dentro de sua casca!
XAXIM
Apresentamos, na segunda história, uma narrativa de
teor a princípio monótono e estático, pois serve como um monólogo reflexivo de
um elemento que não tem a capacidade de mudar sua realidade, restando a ele
apenas declamar. Estou falando de “Xaxim”. Essa planta é uma espécie de
pteridófita arborescente (que desenvolve uma estrutura parecida com uma árvore,
mesmo não sendo uma) cuja espécie mais conhecida é a Dicksonia sellowiana, da família das dicksoniáceas, nativa da Mata
Atlântica e América Central (especialmente dos estados de Minas Gerais, Rio de
Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil). O
xaxim também é conhecido como samambaiaçu, termo do tupi que quer dizer
“samambaia grande”. Tudo isso, seguindo uma breve pesquisa na página da
Wikipédia.
O que ocorre com essa tão admirável planta na
história? No início, temos sua declaração melancólica, porém sintetizada e
realista, de que é difícil ser um xaxim. Nesse primeiro quadrinho, temos uma
visão mais ampliada do nosso personagem, em cujo desenho se pode observar seu
grosso caule e suas folhas. No segundo quadrinho, temos um panorama geral da
cena: o Xaxim na mata, cercado de outras plantas, algumas iguais a ele. Nesse
momento, ele ironiza o fato de que eles ficam “plantados” o dia inteiro, dando
um duplo sentido. No final, a imagem maximiza novamente a figura dele, e faz
uma observação final: o Xaxim imagina se teria motivos para reclamar se fosse
uma onça.
No começo, não sabemos o porquê da declaração
impositiva do nosso protagonista, pois ela não é regada de uma justificativa. O
motivo, porém, de sua declamação suspirante é desenvolvido com poucas palavras
no segundo quadrinho, em que ele esclarece que a dificuldade em ser um xaxim se
dá pelo fato de se ficar plantado o dia todo no mesmo lugar. Segue-se então a
resolução, quando o personagem imagina-se num cenário em que um de seus anseios
seria atendido e sua principal reclamação cessaria frente a possibilidade de ir
e vir. Não falei ainda, porém, da dubiedade da frase: “ficar ‘plantada’ aqui o
dia inteiro…”, que foi escrita desrespeitando o pronome que inicialmente é
declarado (no primeiro quadrinho, o personagem fala que é difícil ser um xaxim,
usando o pronome ele/dele, mas no segundo, ele usa a palavra “plantada” no feminino).
Ficar plantada quer dizer, ao mesmo tempo, estar literalmente preso a um lugar
e estar com a vida parada no mesmo lugar, estática, estacionada, o que infere
ao texto uma carga negativa.
Não há muito mistério por trás da criação desse
pequeno causo. Eu gostava de imprimir reflexões sobre a existência através das
histórias criadas, como por exemplo: ciclo da vida, percepções de realidade,
amizade, companheirismo, família, dinheiro, poder, ganância, sinceridade, tudo
isso regado com um forte teor cultural de alguém que, mesmo não entendendo
tudo, era fruto de seu contexto. Não vou me alongar nesse raciocínio pois creio
já ter exposto demais de mim em “Macaco Eugênio”, mas a lógica segue sendo a
mesma. A intenção era mostrar que, talvez, o que consideramos um atraso na
nossa vida às vezes é intimamente ligado a nossa própria existência, e que tudo
é uma questão de percepção. A ânsia de ter e o tédio de possuir. Se Xaxim fosse
uma onça, seria ele totalmente grato? Ou se acostumaria sobremaneira que
arranjaria outra maneira de reclamar de algum aspecto não tão agradável do seu
dia? Não reclamaria a onça de não encontrar alimento? Não reclamaria ela de ter
que caçar exaustivamente até que obtivesse êxito? Não reclamaria ela da
interminável caça dos garimpeiros clandestinos? Isso não quer dizer que essas
reclamações são um baldo afã, mas sim que tudo o que nós percebemos é fruto de
nosso meio, inclusive as coisas na qual reclamar.
Minha resolução atual é a de que eu escrevi Xaxim
para propor a mim mesmo um tratado de agradecimento pela vida. Pois há pessoas,
animais e plantas cujas vidas parecem ser ainda mais caóticas, e frente a
muitos outros, eu tenho que fazer longos agradecimentos. Sou vivo, respiro,
ando, me movimento, vivo experiências, me apaixono, tenho uma certa liberdade,
posso exprimir minhas ideias num papel ou numa tela para evitar uma implosão de
pensamentos. Com exceção de viver e respirar, um xaxim não consegue fazer nada
disso. Seu maior processo catártico é crescer, pois é a isso que ele foi compelido.
Sejamos então, gratos, e valorizemos a vida.
TCHUM…
O terceiro conto ilustrado tem um significado até
que bastante simples e ironiza uma frase muito dita por várias mães ao longo da
História. A mãe, tragicamente calva, de cabelo ralo e olhos esbugalhados, lança
uma ordem ao filho quase careca. Ela ordena, de forma sorridente, que ele ponha
o lixo para fora. O garoto reclama com uma onomatopeia conhecida entre os
reclamadores de plantão: Tchum. Para quem não sabe, Tchum é o som que fazemos
quando não queremos desenvolver nosso argumento, mas queremos demonstrar nossa
extrema falta de vontade para algo ou nosso cansaço frente a uma situação
desgastante ou ainda, uma pessoa insuportável que vem chegando na linha do
horizonte. No segundo quadrinho, a expressão da mãe se altera, e ela exclama,
aproximando-se do filho: “Sem Tchum, por favor!”. O filho recua, com os olhos
ainda mais abertos. No final, o jovem está na caçamba de lixo, se livrando de
uma sacola preta e murmurando a si mesmo que “não sabia que Tchum não era
lixo”.
Ora, essa segunda frase dita pela mãe foi uma
inserção de um ocorrido crônico na nossa vida. Desde o começo, quando morávamos
na casa do Itatiaia, quando dona Eudésia queria que um de nós tirasse o lixo,
ou lavasse a louça, ou fizesse qualquer coisa que nos impelisse a parar o que
estávamos fazendo ou simplesmente nosso momento de ócio, tínhamos a tendência
de usar essa onomatopeia. E nesse momento, ela dizia a mesmíssima frase da mãe
do quadrinho: “Sem Tchum, por favor!”. Há ainda outra frase: “Sem Tchum,
nenhum!”, mas essa era mais dita por seu Leonardo. Mas a retratação do Fenômeno
Tchum foi fruto de experiências vivenciadas no dia-a-dia, no cotidiano secular.
O que eu posso sintetizar como pensamento ao
analisar esse quadrinho? Não é muito difícil de descobrir. O personagem
“Tchum”, tradicionalmente, tem o costume de reproduzir esse som apenas por
reflexo, mesmo que a ordem imposta não esteja atrapalhando suas atividades ou
seu raciocínio. Tchum é uma casca vazia, acostumada a demonstrar desapontamento
com as coisas mais triviais da vida. Isso não é bom se feito em excesso. Meu
irmão Daniel, por exemplo, é tão acostumado com isso que acaba fazendo o som
apenas por ter seu nome chamado, mesmo que esteja deitado com a barriga pra
cima. Isso se tornou uma espécie de vício. Fiquemos atentos, então, a essas
manias recheadas de “substâncias verbais reprimidas” que acabam por fazer parte
de nosso cotidiano mesmo que não percebamos.
BÁRBARA
Chegamos aqui naquele que pode ser considerado o quadrinho
mais fácil para mim de tirar uma interpretação, justamente por sua ironia
simples. Ao contrário das três primeiras, essa possui apenas dois tempos.
Acompanhamos o monólogo de Bárbara, uma jovem de cabelos loiros e longos
(segundo a Tradição Gabrielista) que, vestida de uma toga grega e munida de um
chapéu viking com chifres, anuncia o próprio estado. No segundo quadrinho, ela
apresenta uma dura verdade: sem a toga, ela será perseguida por gregos. Atrás
de si, surge uma turba revoltada de “cabeças carecas” que exigem que Bárbara
seja pega, alegando que ela é, vejam só! Uma bárbara!
Não vejo como
necessário explicar o conceito de “barbarismo” na sociedade grega antiga, e,
posteriormente, na romana. A ironia aqui é usar o nome da personagem (que não é
exatamente dito, apesar de ser oficialmente na lore que logo mais eu explico)
como termo pejorativo e justificativa para caçá-la. Quanto às origens e
desenvolvimento da ideia da personagem, eu posso dissertar longamente, mas vou
tentar resumir abaixo.
Bárbara surgiu inicialmente de uma garota real, com
o mesmo nome, que eu conheci durante o ano em que estudei no colégio militar
chamado de Waldemar Mundim, também no bairro do Itatiaia, próximo ao Parque
Ambiental Itatiaia e à paróquia Nossa Senhora da Assunção. Ela tinha a mesma
fisionomia que eu viria a imprimir mais tarde na garota dos quadrinhos, e
serviu de uma homenagem e como uma maneira de eternizar a memória dela sem
necessariamente ter de falar com ela. Eu era um garoto muito tímido na época.
Hoje, eu sou mais desenvolto, mas uma chama ancestral de vergonha e receio
sempre toma conta de mim quando o assunto envolve mulheres (sobre isso eu
falarei em outro texto). Durante todo o ano de 2017, eu cheguei a trocar poucas
palavras com ela, me limitando a pedir coisas emprestadas. Em contrapartida,
havia uma garota me oferecendo os bolos que sua mãe fazia. Eu nunca soube se
ela gostava de mim ou se só queria fazer campanha publicitária para a família
me oferecendo uma amostra grátis. Quando acabou o ano, contrariando todas as
expectativas, eu saí do colégio por escolha própria, e nesse mesmo ano, me
mudei para o Negrão de Lima, setor próximo à Pecuária. Nunca mais vi a Bárbara.
Mas algo havia permanecido. Na época final do
Itatiaia foi quando eu me propus a fazer essa folha de quadrinhos, e
inicialmente o repertório referente à “Bárbara de Papel” era bem básico: ela,
junto de um grupo de amigos, vivia em um dormitório unissex na Grécia Antiga,
sendo porém, dotados de nomes que não necessariamente seriam usados por uma
aristocracia juvenil grega. Começava por ela, a protagonista gloriosa,
inspirada numa “Musa Silenciosa” do meu presente (hoje passado). Ela desde
sempre é conhecida por sua personalidade enérgica, criativa e sociável. Bárbara
tem um sorriso cativante e uma coragem de falar as verdades que mais ninguém
possui. Após ela, temos Alberto, seu par romântico. Um jovem de franja lisa que
nutre sentimentos recíprocos pela maluca de chapéu de viking. Temos ainda
Maria, que na segunda era da história, seria uma bailarina. Para fechar temos
Haroldo e Plínio. O primeiro é o arquétipo do “nerd matemático” que resolve
cálculos complexos e usa óculos quadrado; o segundo é um garoto das boas
energias que possui um grande cabelo escorrido. Esses personagens se desenvolveram
junto com a história.
A trama basilar e episódica de uma menina “perdida
no tempo” que sofre com piadas sobre seu nome e outras desventuras anacrônicas
perdeu sua força. Para então, não fazer a personagem se perder, eu decidi
remodelar o cânon: Bárbara, agora Bárbara Gulbrandson, seria a filha de Richard
Gulbrandson, o mais importante dono de internato em uma cidade mineira fictícia
chamada Boa Patrícia. Alberto Guerra, o Beto, seria ainda seu par romântico,
mas teria a resistência de seu pai, Valdemar, que queria que ele se envolvesse
com a inteligente Jovenilda. Maria foi inicialmente retirada, mas logo
retornou, e sua personalidade delicada, porém obstinada, permaneceu intacta.
Ela agora era uma exímia bailarina juvenil. Plínio e Haroldo foram removidos da
história, mas depois foram trazidos de volta. À Plínio, foi dada uma grande
família em que todos possuem nomes começados com P. Outros personagens foram
sendo criados nesse universo, até que a coisa escalou de figura.
Hoje, o “Universo de Boa Patrícia” vai muito além de
meros quadrinhos curtos. “Bárbara” virou um livro (que não foi publicado),
depois virou novela (que não foi produzida) e logo virará um livro de novo,
adaptada e melhorada. Mas uma gama de futuros livros que se passam na mesma cidade
ou na mesma lore será trazida à luz no futuro, se tudo der certo. Dentre eles,
destaco “Acampamento Etrom”, uma história de suspense e terror sobre um
acampamento de férias que guarda segredos sombrios e é um palco de
acontecimentos misteriosos e de raízes ocultas. A protagonista, Talita, é
acusada de um crime, mas logo é liberada, pois uma força misteriosa faz com que
a memória de todos seja apagada. Se tudo der certo, eu lançarei em breve a
primeira parte dessa aventura, “A Sociedade do Espelho”. Sobre Bárbara, o que
dizer? Ela participa dessa história de forma ativa. Aguardem e vejam!
Por fim, a nota que eu tomo dessa tão emblemática e
especial personagem é que os nossos sentimentos, se não forem fortes o bastante
para fazer com que tomemos atitudes fisicamente visíveis, nos faz libertar,
muitas vezes de forma catártica, o que sentimos de forma imaterial. Nesse caso,
uma garota loira que nunca deve ter olhado na minha cara foi a pedra angular
para criar uma rede de histórias extraordinárias que exploram os vários
aspectos da vida. Obrigado, Bárbara Any. Você foi eternizada numa folha avulsa.
TATU FRANCÊS
A história contida em “Tatu Francês” retrata de
forma didática o pensamento estereotipado que o Gabriel da década de 2010 tinha
sobre os franceses. Ao ilustrar um exemplo em que uma criatura demonstra suas
preferências alimentares, o conto deixa claro que o autor buscava retratá-los
como pessoas exigentes e, de certa forma, frescas.
No início, um homem careca sem nome surge à direita
do quadrinho abordando o protagonista, um tatu bípede com um bigode fino e
elegante, e um olhar altivo e impessoal. Depois, o homem materializa um pote
com algumas raízes e oferece para o animal, perguntando se ele gostaria de
tê-las. Ao final, o tatu responde que, na verdade, preferiria um croissant (espécie de quitute originário
da França) com sabor coco. O homem, inicialmente sorridente e solícito, faz
descair o semblante, ficando em silêncio.
Antes da reflexão, fica aqui uma pequena aula sobre
os tatus: eles são criaturas onívoras, o que significa que sua dieta pode
variar bastante, dependendo do que estiver disponível. Segundo o Perito Animal,
site de dicas de cuidado de pets e curiosidades do mundo animal, a variação da
dieta de um tatu depende de qual espécie estamos falando. Em relação aos
adultos, temos o exemplo do pichiciego-maior (Calyptophractus retus),
que se alimenta de insetos, larvas, minhocas, tubérculos, frutas, e outras
coisas. Dentre elas, claro, raízes.
Quando eu criei o personagem “Tatu Francês” e sua
tirinha, eu não fazia ideia de que podiam existir mais de uma espécie de tatu,
mesmo sendo entusiasta do mundo animal. Como um pequeno viciado em criaturas,
eu preferia aprender sobre os dinossauros, mas não apenas os extintos. Desde
sempre fui, e hoje ainda sou, um grande fã de ornitologia e vida das aves. A
maior parte da minha energia foi concentrada nisso. Eu achava os mamíferos
muito previsíveis. Não queria estudá-los. Em primazia, vinham as aves, com suas
majestosas penas, plumas e manias. Depois, vinham os répteis, em especial, os
quelônios, como minha jabuti Margarida (ainda viva, porém não comigo). Eles
eram ancestrais e exalavam uma sabedoria natural. Também sempre amei os
invertebrados, livres e centrados em um mundo paralelo. O último lugar, pasmem,
não é dos mamíferos, mas sim dos anfíbios. Fato é: eu não sabia que existia
mais de uma espécie.
Algumas das espécies eu só ouvi falar quando fui
fazer a pesquisa para esse ensaio. É um mundo surpreendente. Alguns nascem até
cegos. Outros começam a comer ainda filhotes, libertando-se do leite materno.
Alguns casais comem juntos, outros se separam para encher a barriga. Eles são o
único mamífero a ter carapaça, se não me falha a memória.
Agora, falando sobre os franceses: eu tinha uma
visão bem construída sobre eles. Achava que eram todos elegantes, que se
vestiam bem e falavam bem rápido. Que não aceitavam qualquer coisa. Eu quis,
com esse personagem, fazer uma mescla entre brasilidade e indiferença aristocrática.
Atualmente, eu comecei a estudar o francês. É um idioma que me interessa muito
mais do que o inglês, por mais que seja difícil em certos aspectos. Se eu
tivesse estudado desde aquela época, provavelmente o Tatu também teria soltado
alguma palavra além de croissant.
Sempre fui um francófilo. Tenho um livro turístico sobre a França, conheço
algumas pessoas francófonas ou que simplesmente falam o idioma, já estudei
vários aspectos da Revolução Francesa. Bem, estou divagando. Creio que deu para
entender as inspirações que me levaram a produzir essa tirinha.
Como resolução, fica o seguinte acordo: uma crença
em determinado aspecto, objeto ou, nesse caso, povo, nos faz criar uma
"carapaça" de conceitos pré-concebidos que nos levam a enxergar cada
vez mais com nossa lente própria. O fato do Tatu Francês andar sobre duas patas
mostra que ele é um diferenciado, um gentleman
elegante e refinado, pois é dessa forma que eu enxergava a maioria dos
franceses. Não há muito o que explicar, somente devemos agora ir para o próximo
conto.
SUPER CODÓ
Já se passaram cinco histórias em nossa análise, as
quais nenhuma delas conteve em seu conteúdo origens polêmicas e, de certa
maneira, problemáticas. “Super Codó” não é explicitamente um manifesto de
pré-conceitos difundidos com o propósito claro de ofenderem, mas sim como um
espelhamento de uma certa visão limitada já vastamente citada nesse ensaio. Por
quê esse quadrinho é tão polêmico? Bem, a problemática não está exatamente em
seu conteúdo, mas no que seu título e seu protagonista expressam nas
entrelinhas.
O conto possui apenas dois quadrinhos, assim como
Bárbara, e conta sobre o episódio envolvendo um super herói chamado Super Codó.
No começo, uma mulher desesperada, no alto de um prédio, clama por socorro ao
vê-lo sobrevoar o céu. Sorridente, o herói pergunta a mulher quantos andares
tem aquele prédio. A mulher responde, já no segundo quadrinho, que há cinco
andares. Desgostoso e impessoal, Super Codó orienta que ela desça pelo
elevador. O humor está no fato de que o super herói, que deveria ser um símbolo
de altruísmo e intrepidez, age com total descaso na situação, delegando à pobre
vítima o papel de salva-se a si mesma. Nisso, não está o problema.
A maior questão espremida na tirinha é a de batizar
um “herói moralmente falido” com o nome de uma cidade que é conhecida por um
fator muito específico. Codó é um município do Maranhão que, em suma, é
reconhecido como “terra da macumba”. Lá, existe forte presença de tendas e
salões para a realização de práticas religiosas, dentre as quais se destaca o
Terecô (ou Tambor da Mata), uma crença que teria se originado ali mesmo. Outras
religiões são a Umbanda, que teria ido para lá na década de 1940, e o
Candomblé, cujos centros teriam surgido a partir dos anos 80.
Como citou Martina Ahlert em seu artigo, disponível
no Ponto Urbe, revista do núcleo de antropologia urbana da USP, Codó é
semelhante a um relicário: há velas nas janelas, altares pequenos nas casas,
quartos construídos para abrigar os orixás e terreiros no fundo dos quintais,
geralmente na parte de trás das casas. “Com exceção de algumas tendas que são
voltadas para a rua, muitas vezes se pode passar em frente à casa de um pai ou
mãe de santo sem saber ou ver qualquer sinal visível de localização de um
espaço religioso”, cita Ahlert.
Tendo em vista o histórico religioso e considerado tradicional
pelo poder público da cidade, é necessário reconhecer que a origem da ideia de
nomear um super herói feito o Super Codó tem uma carga altamente pejorativa,
muito embora não tenha sido feita através de uma lente propositadamente
preconceituosa. Em meus anos iniciais, eu convivia muito proximamente com
pessoas de matrizes evangélicas, que tinham uma visão sobre Codó baseada em
seus dogmas. Como eu me criei nesse ambiente, ouvi as pessoas falando, de forma
negativa, sobre a fama de tal município maranhense. Eu não percebia, mas ao ver
essas frases sendo reproduzidas, o que era implicitamente difundido era uma
mensagem de que a cidade era atrasada e grosseira, e que as pessoas lá estavam
na pobreza justamente por conta de suas crenças.
Em alguns casos, Codó era considerado algo
extremamente ofensivo. Significava que a pessoa não tinha classe, que agia de
forma rude e paupérrima. Isso reflete não só a visão preconceituosa de uma ou
mais religiões como reflete também o pensamento elitista que pessoas que na
maioria das vezes, não eram de classe alta, tinham (e ainda devem ter) sobre o
Nordeste.
Além do mais, havia ainda o fator de disputa. Grupos
religiosos com alto teor de divulgação e propagação, como são os grupos
evangélicos, sempre engendraram a narrativa de que as cidades, antes dominadas
por um secularismo e até por um sincretismo, agora seriam lar de uma crença
homogênea e triunfante. Assim como cita Ahlert, Codó seria agora “de Jesus”, de
acordo com pastores e religiosos. Isso também se aplicava para todas as
cidades. Nós, de Goiânia, enxergávamos que agora viria um “novo tempo”, onde o
Evangelho triunfaria sobre outras crenças. Isso ainda é muito difundido nas
igrejas hoje em dia, citando argumentos como “vocês são a geração eleita” e alimentando
um enredo de espalhamento da religião. Há, portanto, uma ligação entre a visão
que eu tinha de um município maranhense com o comportamento anti-heroico do
nosso protagonista.
Não há muito mais o que dizer, e temo não poder
desenvolver nada concreto para essa resolução. O que pode ser comentado, é que,
se eu pudesse criar esse herói hoje, que tenta usar uma lógica maliciosa como
desculpa para não ajudar quem precisa, eu não teria ligado isso a um local que
é tão alvo de olhares desgostosos por quem vê de fora; ou ao menos, eu teria
nomeado ele assim, mas mudaria sua personalidade. De qualquer forma, está
feito. Resta agora o aprendizado para o Gabriel em 2026, que não enxerga mais a
pluralidade religiosa brasileira da mesma forma na qual enxergava em meados de
2017.
TSURU
O sétimo e penúltimo quadrinho tem uma alta carga
simbólica ao retratar, de forma humorada, a popular crença dos tsurus, origamis
de aves feitas para realizar um propósito específico. Por trás desse pequeno
conto existe uma história tocante e que expressa a sensibilidade do Gabriel
mais novo frente à retratação de um “milagre da natureza”, mesmo sem conhecer
bem o mundo.
Antes de explicar sobre essa crença, vamos à
história em si. No primeiro quadrinho, o personagem Tsuru se achega ao seu
amigo, um boneco de neve, e pergunta o que ele está fazendo. O boneco responde
que está dobrando mil tsurus para realizar seu desejo. No segundo e último
quadrinho, o Tsuru olha para trás de si, onde há uma pilha de tsurus dobrados,
alguns até maiores que ele, e pergunta se o amigo não quer um deles. O humor
está no fato do boneco estar tentando realizar seu objetivo usando de pedaços
menores de papel, enquanto seu amigo utilizou materiais maiores. Outro aspecto
a se pensar em quesito de humor é o fato do Tsuru ser uma ave, e não possuir
dedos, apenas asas, tornando difícil a arte de dobrar os origamis.
Esse exercício de dobrar mil tsurus para realizar um
desejo não foi criado do nada. O Tsuru na realidade, é o famoso grou-japonês
(ou grou-da-Manchúria). É considerado pelos japoneses como símbolo da
vitalidade da juventude, e, segundo a crença, podem viver cerca de mil anos.
Por serem considerados companheiros dos eremitas, eles foram tidos como um
talismã para a longevidade. Simbolizam a mocidade eterna, felicidade e amor
conjugal, pois, por serem monogâmicos, os grous se unem apenas uma vez durante
toda sua vida. A arte do origami foi inspirada nessa ave, e tornou-se tão comum
no Japão que pedaços de barbante eram amarrados com vários tsurus de papel e
pendurados acima dos berços dos bebês.
Segundo o site Mikami, “no Japão, acredita-se que
dobrar 1.000 origamis de tsurus com a mente direcionada para uma necessidade,
garante seu desejo realizado. Diz que quanto mais origamis de tsurus o
adoentado fizer, mais rápida será a sua recuperação”.
O ato de dobrar tsurus foi reforçado e difundido
após o episódio tocante da menina Sadako Sasaki, sobrevivente de Hiroshima aos
dois anos de idade. Ela viveu normalmente até os doze anos de idade, quando
descobriu que, por conta da chuva radioativa que ela e sua mãe haviam levado,
estava com leucemia. Durante uma visita de sua amiga, ela foi aconselhada por
ela a dobrar mil tsurus para que fosse curada do mal. Obstinada, a garota
começou a dobrar, mas infelizmente, não chegou a completar a contagem, devido a
sua morte em 1955. Porém, os seus colegas de classe completaram os tsurus
faltantes a tempo para seu enterro. A fama dessa história atravessou o mundo, e
hoje, essa história é um símbolo de luta pelo fim das armas nucleares.
Quando eu era mais novo e desenhei esse quadrinho,
eu não fazia ideia das origens dessa lenda, porém achei a premissa dela singela
e poética. Entre todos os contos que são citados nesse ensaio, esse é o que
possui mais beleza e delicadeza, apesar de seu tom humorístico. Pois a própria
ave que é símbolo de resistência, longevidade e paz, engendrou na crendice de
que os mil origamis seriam capazes de realizar um desejo. Seria assim, uma
dupla sorte. Além do mais, o ato dele oferecer alguns para o boneco de neve,
por mais que não esteja de acordo com a proposta da crença, demonstram a
necessidade do Tsuru de ajudar seu amigo. Quem sabe, não foi isso que ele
pediu, no fim das contas?
A resolução, por fim, é a de que se persistirmos em
narrativas que incentivem nossa alma a permanecer de pé, nosso espírito enfim
se curará, mesmo que não tenhamos nosso desejo imediato realizado. Como
aconteceu com Sasaki, as vezes a beleza de uma crença está muito mais em como
ela muda a percepção das pessoas do que um milagre grandioso que ela causa na
vida delas.
BILA BOLA
Chegamos naquele que é o mais fácil de compreender
sem um contexto específico por trás, e também sem muita pesquisa prévia. Estou
falando de “Bila Bola”, onde a desobediência leva a sérias consequências, pois
coloca em risco sua própria integridade física. Aqui, o recado é simples: não
desafie o que você não consegue combater.
Ao contrário das duas histórias anteriores, que
possuíam o padrão de apenas dois quadrinhos (também presente em Bárbara), esse
último volta a possuir a separação em três tempos, como a maioria dos contos da
folha. No primeiro, temos a apresentação do conflito: Bila Bola, uma bola
antropomórfica do sexo masculino, é alertada por seus pais quanto à sua alergia
a palmito. O filho, que está nesse exato momento se alimentando justamente do
palmito, fala no segundo quadrinho, ainda mastigando, que aquilo é uma bobagem,
e sua expressão de prazer é demonstrada através da onomatopeia “Nhac”. No
terceiro quadrinho, não temos falas, somente um cenário desesperador: Bila Bola
está deitado numa maca, sendo levado para dentro de uma ambulância, enquanto
seus pais assistem a isso com as mãos na cabeça (aqui todos tem mãos). A
história acaba sem mostrar como se deu a crise alérgica, e ficamos sem saber
qual foi o desfecho desse conflito. Temos, porém, uma lore por trás desse
pequeno conto.
“Desenhe” não era um livro, era mais um mundo
imaginado que servia como cenário para algumas de minhas brincadeiras. Era um
lugar onde todos os desenhos mais incríveis que eu e meu irmão poderíamos
pensar se materializavam na forma de cidadãos. Podia se manifestar de duas
formas: ou através de personagens desenhados ou recortados, as vezes pintados
com lápis, que nós usávamos para mergulhar no universo; ou através de desenhos
que eu fazia num caderno específico para isso. Aquele caderno, inclusive,
serviu por muito tempo como almanaque das minhas ideias. Não era apenas um
caderno de colorir, mas sim um registro de meus processos catárticos. Eu
poderia me debruçar longamente sobre todos os aspectos desse mundo, mas vou me
concentrar apenas em Bila Bola.
Ele vivia na principal cidade, na terra de Drawland,
onde haviam figuras muito peculiares e diferentes. Uma bala Fini vermelha, uma
vesícula biliar, um zumbi roxo, um biscoito de queijo e um comprimido, todos
vivos e vizinhos uns dos outros. Bila Bola era um deles. Ele estava sempre
junto nas aventuras, e era conhecido por sua personalidade criativa e enérgica.
Mas seu carisma foi o que fez com que ele ganhasse o próprio quadrinho. Vale a
pena ressaltar, inclusive, que nenhum dos outros personagens dos quadrinhos
anteriores, tradicionalmente, se encontram no mesmo mundo ou, pelo menos, na
mesma terra que Bila Bola e seus companheiros malucos.
A função desse quadrinho, apesar de parecer, não era
exatamente de alertar as pessoas quanto ao risco de comer alimentos na qual
eles podem desenvolver uma reação alérgica. Serviu muito bem a isso, mas a
função era mais humorística. Bila, pensando que iria burlar o seu organismo,
colocou para dentro aquilo que o faria mal. O resultado, foi um “passeio” para
o hospital. Mas, de acordo com o cânon, Bila Bola não morre. E de acordo com
minhas pesquisas, palmito não costuma causar alergia.
Por fim, e encerrando esse carrossel de resoluções
acerca de histórias perdidas nas memórias do meu quarto, eu posso concluir o
que disse no começo: muitas vezes, cremos que iremos conseguir burlar as coisas
somente com insistência, mas isso pode levar a um caminho perigoso. Não sei se
essa lição serve para alguma coisa além da questão alérgica, mas se por um
acaso o caminho for difícil demais, não custa nada reconhecer suas fraquezas e
pedir ajuda. É, pode ser essa a lição. Fica difícil transformar essas histórias
em Fábulas de Esopo quando elas, na maioria dos casos, tem função de entreter e
fazer rir.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
No fim, o que aprendemos com cada uma das histórias?
Que macacos não gostam de banana-marmelo. Que xaxins são muito reclamões. Que
eu não sei desenhar pessoas bonitas. Aprendemos também que meninas loiras podem
virar uma grega com chapéu de viking e ser perseguida por carecas estranhos.
Aprendemos que alguns tatus não se contentam com o que acham no chão. Que um
super herói confunde pragmatismo com falta de vontade. Que um tsuru é regado de
boas energias, mas um tsuru que dobrou tsurus é praticamente uma divindade. E
por fim, que bolas tem alergia à palmito. Obrigado por ter lido esse ensaio, em
breve posso surgir com novas reflexões e análises sobre qualquer coisa que
convier a mim.
Bibliografia
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11 | 2012, posto online no dia 22 outubro 2013. Disponível
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Marmelo. Bananas 3 Irmãos.
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Disponível em: https://mikami.com.br/tsuru-a-ave-sagrada-do-japao/
Acesso em: 10 de junho de 2026
XAXIM.
Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disponível em: https:
//pt.wikipedia.org/wiki/Xaxim Acesso em: 03 de junho
de 2026

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